|
P - Como você comprou seu primeiro labrador?
R - Michael e eu compramos nosso primeiro labrador de um
criador de fundo de quintal. Ela mastigou meu sapato. Ela
era tudo para nós. Uma fêmea amarela. Quando adulta, sua
cauda dobrava sobre o dorso, ela tinha quase nada de
largura no peito, pernas longas, nada de angulação
traseira e muito pouca pelagem. Nós a amávamos. Ela
produziu nosso primeiro campeão.
P - Quais os canis que mais chamaram sua atenção quando
você resolveu iniciar sua criação? Por quê?
R - Após 10 anos tentando produzir o tipo de labrador que eu queria, fui para
Inglaterra. Nestes 10 anos eu aprendi muito. Uma lição que aprendi era de que
eu não era uma criadora suficientemente boa
para ter uma fêmea medíocre e criar a partir dela. Eu precisava de uma
fêmea de qualidade
com cães de qualidade por traz dela. Na Inglaterra eu visitei
vários canis. Quando eu fui no canil
Ballyduff, eu encontre o que eu estava procurando. Eu fiz tudo que podia para
convencer Mrs. Docking que ela podia contra comigo, que eu protegeria sua
linhagem e faria uma boa criação com ela. Eu peguei a terceira escolha da
ninhada de Spark of Ballyduff acasalada com Timspring Sirius. Seu nome era
Ballyduff Lark. A partir daí eu me desfiz de todos meus outros cães e recomecei
minha criação com Lark. Que maravilha de fêmea ela foi. Porque Ballyduff? Bem,
para mim Ballyduff era o Tipo que eu estava procurando. E para minha sorte,
Ballyduff também era uma linha saudável.
P - Você se aconselhou com alguém quando você começou seu canil? Quem foi seu mentor?
R - Nos 10 anos antes de eu adquirir Lark, eu
aprendi muito através de diversas fontes. I não tinha um mentor, tinha
diversos. Eu ouvia e procurava aprender. Eu olhava os cães nas exposições e via
quais as combinações que funcionaram e quais não funcionavam. Como os outros
criadores tomavam suas decisões nos acasalamentos. Eu olhava os vencedores e
procurava comparar eles com meus cães. ( especializadas). O que eles tinham que
os meus não tinham? O mundo do labrador foi meu mentor.
P - Vencer em POTOMAC é o sonho de qualquer criador.
Você Venceu e também venceu em WESTMISTER. Diga alguma coisa sobre isto.
R - Vencer o Melhor da Raça em Potomac foi um sonho que se tornou realidade. E a
confirmação de que você, como criador, esta realizando um bom trabalho, e que
este trabalho é confirmado por seus colegas criadores. Vencer Westmister e muito diferente. Você está competindo
com cães que estão ranqueando nacionalmente. Conquistar Melhor da Raça por dois
anos seguidos é incrível. Vencer 4# de grupo por dois anos também foi sensacional impossível descrever. Um labrador
somente conseguiu colocação em Grupo 5 vezes em 122 anos em Westmister Show.
Então conquistar 4# lugar de Grupo foi uma honra para a raça
Labrador. A raça foi finalmente colocada no Grupo. Eu estou muito orgulhosa de
um cão produzido por mim tenha representado a raça tão bem.
P - Qual sua opinião sobre exposições julgadas por Juízes “all rounder” e sobre exposições gerais?
R - Existem muito poucos Juízes “All Rounder”que conhecem o que é um bom Labrador.
Acrescente-se a este fato um grande numero de juízes “all rounder”que julgam os
handlers e não os cães. Isto tudo faz com que seja muito difícil competir em
exposições gerais. A grande maioria dos criadores que criam o Tipo Inglês, não
entram nas exposições gerais. A não ser que seja julgada por um juiz que seja
criador da raça. Eu estava em um destes shows com uma fêmea chocolate. Eu olhei
para todas as outras fêmeas que estavam em minha classe e pensei “Sim, eu posso
ganhar esta classe”. Eu era a única que estava com uma fêmea chocolate na
classe. Eu fui colocada em ultimo lugar da classe. Então eu perguntei ao juiz
porque, e ele então me respondeu que minha fêmea tinha uma cor inadmissível
para a raça.
P - Você poderia citar dois livros que você tenha lido?
E o que você está lendo agora?
R - Os dois livros que eu mais aprendi são; “Adevanced Labrador Breeding” de Mary
Roslin Williams e Dog Locomotion and
Gait analysis escrito por Curtis M. Brown. Um outro livro e vídeo que aprendi
muito, foi de Rachael Paige Elliot’s – Dog Steps. Eu tenho olhado o vídeo varias
vezes e sempre aprendo alguma coisa mais cada vez. O livro que estou lendo
agora é Retrievers How To Break Them for Sport and Field Trials de autoria de
Stewart Smith. Um livro antigo que me foi doado por um outro criador de
labrador.
P - Com que idade você escolhe seus filhotes? Tem alguma razão para você eleger esta idade para fazer suas avaliações?
R - A primeira avaliação que faço é quando o filhote esta de 8 para 9 semanas de
idade. Esta é uma boa idade para tomar a decisão de quais podem ser
considerados como filhotes para exposição e quais não. Depois com 4 meses é
possível ter uma idéia melhor de como seus ombros poderão ser. A próxima vez
que volto a avaliar é quando estão com 1 ano de idade. Procuro então observar o
balanço, equilíbrio como um todo. Logicamente que sempre que eles estão
brincando eu os estou observando. Estou permanentemente observando
temperamento. Quando eu faço um linebreeding na minha própria linha, I acho
muito mais fácil avaliar os filhotes. Quando eu trago outra linha, eu não sei
como eles maturam. Fico mais preocupada pois não sei como eles maturam. Nestes
casos, eu posso e cometo mais enganos.
P - Quais são os pontos mais difíceis de
você prever quando avaliando seus filhotes? E quais são os pontos que lhe dão certeza que
se confirmarão?
R - Na minha linha o ponto mais difícil de avaliar nos filhotes é joelho. Se eu não tiver boa angulação de joelho com 8 semanas,
eu não terei mais. Isso então torna as coisas mais fáceis. Quando os filhotes
tem esta angulação com 8 semanas, eles podem também não manter. Pode demorar
até 2-3 anos se eles terão. Isto me deixa louca.
P - Qual o método que você adota em seu programa de
criação? Linebreeding, Inbreeding ou Outcross?
R - A minha primeira escolha é “linebreeding, segunda “inbreeding” e depois “outcrossing”. Eu somente faço
outcross quando eu não tenho outra escolha.
Normalmente eu não gosto do resultado, mas algumas vezes eu obtenho um filhote que eu acho que posso trabalhar com ele.Um
reprodutor que tenha ¼ da minha linha é o que eu mais gosto de usar quando
tenho que sair para fora dela.
P – Quando você considera um macho ou uma fêmea um verdadeiro
reprodutor?
R - A minha definição para um verdadeiro reprodutor ou matriz é quando um macho uma fêmea produzem
filhotes saudáveis e típicos com linhas diferentes. Quando você vê um macho ou
uma fêmea em vários pedigrees você sabe que este macho/fêmea é um verdadeiro
reprodutor.
P – Sobre qualidade em termos de estrutura, quais aspectos
você considera mais difíceis de melhorar e fixar em um canil?
R - Ombros são o que sempre procuramos melhorar quando acasalamos. Nos não temos ombros
realmente bons em nossos cães então temos que procurar melhorar buscando o
melhor que possamos encontrar. Ou pelo menos um macho que tenha ombros iguais
ao das nossas fêmeas para que não demos um passo atrás. Angulação nos joelhos é
minha maior dificuldade. Eu os quero angulados, mas também quero manter um
correto movimento. Joelhos torneados, mas corretamente aprumado juntamente com
os jarretes. Quando você tem mais angulação do que o cão realmente possa usar,
seus posteriores vão mover de forma errada.
P - Qual o acasalamento de maior
consangüinidade que você realizou no seu canil? E você obteve os resultados que
queria?
R - O acasalamento mais fechado que eu já fiz foi entre irmãos. Eu na verdade,
não fiz este acasalamento, os cães fizeram por conta própria. Aquelas coisas
que nós dizemos Ops...ninhada. Eu não fiquei satisfeita. Um acasalamento como
este dão a você algumas informações do que sua linha pode produzir. Eu gosto de
fazer linebreeding. Eu gosto de dobrar em combinações que funcionam bem para
mim. Eu gosto de pegar os filhos de duas irmãs, acasaladas com machos
diferentes e acasalar entre si. Os resultados de linebreeding em segunda e
terceira geração normalmente são muito produtivos.
P - Você poderia citar alguns países além dos USA e UK que você considera que estão fazendo um bom trabalho pela raça?
R - Eu não me sinto com conhecimento suficiente
para responder esta pergunta. Eu não tenho estado em tantos países que me
permitam fazê-lo. Mas olhando os web sites dos criadores pelo mundo. Eu vejo
que existem bons criadores espalhados pelo mundo. Também sei que esses
criadores estão recém se tornando conhecidos no Mundo dos Labradores. Por outro
lado, alguns países estão criando tantas regras, que fazem com que dificulta
muito o trabalho dos criadores para criar cães de qualidade. Espero que no
futuro isto seja revisto e retificado.
P - Qual as mudanças mais importantes que
você acompanhou na raça nos últimos anos?
R - Nos USA os case estão ficando muito pesados em osso e substancia em função disso a movimentação deles é difícil.
Também estamos vendo pelagens mais longas do que é correto para a raça
labrador. Nós precisamos tomar cuidados também com o tamanho das pernas. Muitos
dos nossos cães estão desequilibrados, fora de balanço por causa das pernas
muito curtas. Ao longo dos anos os criadores que observam os cães do lado de
fora da pista começam a observar os pontos que necessitam ser corrigidos e num
curto espaço de tempo as correções são feitas. É incrível. Há poucos anos atrás nós tínhamos problemas com inserção baixas de caudas, hoje muito poucos cães são
vistos com este problema.
P - Quando você está julgando e tem que tomar sua decisão final, o que você considera mais importante movimentação ou tipicidade?
R - Quando eu estou julgando em uma exposição, ou mesmo avaliando meus próprios
cães, os cães tem que ter tipo e ponto final! Para ter Tipo Racial você tem que
ter; corpo balanceado juntamente com cabeça, pelagem e cauda. Movimentação vem
a seguir. Eu tenho visto juízes que julgam movimentação e nada mais. Bem, eu
acho que esses não deveriam julgar labradores. Se não tipicidade, não teremos
um labrador.
P - Qual sua opinião para falta de dente? E qual a importância que você dá para este aspecto quando você está julgando?
R - Eu acho que se faz muito barulho e confusão sobre falta de
dente. Labrador é um cão de caça. A falta de um ou outro dente, qual a
importância disto para a função? Claro que como criadores temos que ter
sensibilidade para isto. Qualquer fêmea que tivermos com falta de dentes
deve-se procurar acasalar com um cão de
dentição completa. Questão de bom senso.
Como juíza, eu quero ver uma mordedura em forma de tesoura. Depois disto, bem,
teria que haver uma falta de dentes expressiva para me fazer penalizar um cão
por isto.
P - Considerando que você tem julgado em muitos países. Você poderia mencionar alguns aspectos positivos e alguns negativos
comparando com USA?
R - Eu tenho julgado em um grande numero de países. Cada sistema tem seus méritos e suas deficiências.
Eu gosto muito do tipo de sumulas que é feito na Itália. Se forem bem feitas,
elas são uma grande ferramenta de aprendizado. Na Suécia, eu gosto porque a
escolha do Melhor da Raça e o segundo podem ser do mesmo sexo. No meu país
gosto muito do sistema que fazemos nossos campeões, este sistema mantém a
qualidade sempre alta. Na Finlândia você avalia os cães e faz uma sumula. Também
gosto deste sistema.
P - Qual o sistema de acasalamentos que
você adota como rotina no seu canil, Inseminação ou monta natural?
R - Meus cães são acasalados somente através
de Inseminação Artificial. Eu quase perdi Regal Air e também quase perdi outro
reprodutor por infecção contraída através de monta natural. Eu não correrei o
risco novamente. Também se torna muito mais fácil coletar um cão que nunca
tenha acasalado antes. Nosso país é muito grande, e nós fazemos muitos
acasalamentos través de sêmen resfriado. Nossos cães têm que estar prontos para
serem coletados sem ter uma fêmea no cio por perto.
P - Quantos cães em media você mantém em seu canil?
R - Antes de eu ter quem me ajudasse no canil eu tinha em torno de 8 a 10 cães. Agora que tenho
quem ajude meu numero subiu para em torno de 15 a 20 cães. E alguns
filhotes que chegam. Eu estou sempre procurando manter meu numero de cães
baixos. Eu coloco todas as fêmeas que não estão mais produzindo. Mantenho apenas poucos machos uma vez que eles
permanecem toda suas vidas comigo.
P - Quando você está planejando um acasalamento,
quais destes aspectos você perdoa ao escolher o macho para suas fêmeas,
tipicidade, pedigree, aspectos de saúde e progênie?
R - Quando seleciono um macho para minhas
fêmeas, eu procuro sempre por um tipo similar ao que tenho. Procuro por um
macho que as falhas sejam diferentes das minhas fêmeas, e que eu acho que
minhas fêmeas possam ser dominantes ou que tenha alguma falha que eu possa
conviver com ela. Eu não acasalo com machos que tenham faltas. Elas sempre
aparecem nos filhotes. Quando tenho que fazer o “temido” acasalamento outcross
tenho que ter tipicidade e saúde. O pedigree é então muito importante para
saber os cães que estão por trás. Eu olho os filhos produzidos para ver no que
ele possa ser forte em passar usaria também um cão que não tenha visto
progênie. Tenho constatado que algumas linhas combinam muito bem com a minha e
algumas que não combinam tanto. Isto pode ser visto na caixa de parição. Quando
a combinação não funciona eu sempre lamento muito por minhas fêmeas. Ela passou
por tanto esforço e não conseguimos um bom filhote. Minha exclusiva culpa por
não ter escolhido um bom macho para ela.
P - Você planeja acasalamentos visando especificamente
produzir melhores machos ou fêmeas?
R - Não.
P - Você dá mais ênfase a linha materna ou paterna
quando planeja um acasalamento?
R - O que eu faço é ver como eu acho que os pedigrees combinarão. Tem este macho
antecedentes que possam trazer algo que melhore nas minhas fêmeas? Dara a ela o que ela precisa
para melhorar sem tirar o meu Tipo?
P - Considerando especificamente estrutura, quais
aspectos fazem com que você deixe de usar um macho não importando o quão bonito
ele seja?
R - Tem algumas coisas que devo ter nos meus
cães.Uma cara bonita, tipo racial, balanço e movimentação. Eles devem portar
suas caudas na linha do dorso. Devem ter jarretes curtos. E claro deve ser
saudáveis. Se a cauda é portada um pouco alta, eu até aceito; não fico feliz
com isto mas tudo bem. Se eles não mantêm seus jarretes perfeitamente colocados
por todo caminho, eu até posso conviver com isto mas repito não fico feliz. Eu
não uso um reprodutor que carregue sua cauda alta, que não tenha uma bonita
angulação de joelhos, que não tenha correto temperamento. Não uso um reprodutor
com pelo longo e finalmente não uso um cão que tenha faltas.
P - Quais cães você poderia citar que mais
impressionaram você nos últimos 5 anos?
R - Que mais me impressionaram: BISS CH. Borador’s
by George. Um incrível reprodutor. Ele nos deixou um grande numero de amarelos
excelentes. Meu próprio macho, Bis. Ch. Beechcroft Study’s Top Secret; um cão
incrível, muito cedo para falar dele como reprodutor. E BISS Ch. Sureshot
Hyspire Impresive outro excelente reprodutor. Lubuff Turtle Dove é uma Linda
fêmea e muito boa reprodutora.
P - Quais os cães que tiveram mais impacto de sua
linha?
R - Como reprodutor eu acho que foi BISS Ch.
Beechcroft’s Study in Black. Ele é o primeiro cão que eu produzi e que é
dominante quando usado como reprodutor. Para show seria BISS Ch. Beechcroft’s Study Top Secret. Para caça seria BISS Ch.
Beechcroft’s Edgewood Tomarc. Nas fêmeas Ch. Ballyduff Lark, ela deu minha linha. Nas pistas Ch. Beechcdroft’s
Clover of O’Henry e nos campos novamente Clover.
P - Qual o cão que você tem maior recordação?
R - Ch. Ballyduff Lark. Ela me deu tudo o que eu queria e muito mais do que eu poderia esperar. E ela me amava tanto quanto
eu a amava.
P - Você tem acompanhado o desenvolvimento da raça nos
USA, o que você entende que melhorou e o que precisa ainda ser melhorado?
R - Nós melhoramos nossa substância, nossa
ossatura e nosso tipo racial. Também temos melhorado a saúde dos nossos cães.
Perdemos como o pescoço se encaixa nos ombros, isto realmente precisa ser
corrigido. Temos que nos livrar dessas pelagens longas. E ter nossos cães
portando suas caudas baixas, linha do dorso, como deve ser.
P - Tem alguma coisa mais que você gostaria de acrescentar que
você considere importante para os criadores
conhecerem ou pensarem a respeito?
R - Como criador é muito importante que você ame o que você está fazendo. Que tenha
paixão por isto. O futuro da raça está em suas mãos. Nós não podemos deixar
estes cães maravilhosos regredir.
|